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    MARCELLINO GUIMARÃES (BENZINHO)

João Eurípedes de Araújo

Luiz Henrique Caetano Cellurale

 

  Natural de Uberaba, Marcellino nasceu no dia 12 de junho de 1896. Começou a trabalhar com 12 anos de idade em casas comerciais da cidade.

  Depois disso fundou e dirigiu seu próprio estabelecimento comercial, a Casa Indiana, que mais tarde mudou a razão social para Casa Guimarães, especializada em lâmpadas e postais.

  Os cartões que mandava preparar e colocar à venda registravam aspectos de Uberaba ao longo de sua história, representando, assim, não somente uma iniciativa comercial, mas uma homenagem ao esforço coletivo uberabense.

  Estimado e conceituado no comércio, Marcellino Guimarães foi um dos fundadores da Associação Comercial e Industrial de Uberaba (Aciu), prestando relevantes serviços a essa entidade.

  De acordo com o jornal Lavoura e Comércio de 28 de abril de 1986, "era estimado de toda a população, acostumada com sua pessoa afável e compreensiva, com suas atitudes marcadas por traços inconfundíveis de bondade e generosidade".

  Marcellino não era fotógrafo. Era editor de fotografias que ele convertia em cartões postais comercializáveis em seu estabelecimento.

  Marcellino faleceu no dia 18 de abril de 1986.

 

FOTOS DIVERSAS

 

 

 

Acervo: Superintendência do Arquivo Público de Uberaba

 

 

FOTOGRÁFOS DO PASSADO:  Hans Schroden

João Eurípedes de Araújo

Luiz Henrique Caetano Cellurale

 

 Hans Schroden, ou João Schroden Jr. era alemão, nascido na cidade de Bottrop, em 1908. Imigrou com sua família para o Brasil ainda moço, em 1920, vindo inicialmente morar no Estado de Santa Catarina, transferindo-se posteriormente para  Uberaba, donde passou a residir até  o seu falecimento.

 

 Logo que chegou na cidade, Schroden passou a frequentar o ateliê do famoso pintor Anatólio Magalhães, onde começou a se preocupar com a expressão artística das imagens. Assim, dentro do ateliê, foi aos poucos se interessando pela fotografia e, sendo assim, alugou o próprio ateliê de Anatólio para montar o seu primeiro estúdio de fotografia.

 

 Ainda na década de 1920, Schroden dominou a arte fotográfica de maneira tão intensa, que rapidamente tornou-se um retratista muito conhecido, ficando a pintura como um hobby que o acompanhou ainda por muitos anos. Famílias vinham de longe para fotografar com o jovem João Schroden Jr.

 

 Além de fotógrafo, Schroden trabalhou, também, com cinema profissional e produziu uma série de filmes documentais: as visitas de Getúlio Vargas a Uberaba, Juscelino Kubistchek, os pracinhas indo e vindo da II Guerra, entre muitas encomendas da ABCZ, compondo um extenso acervo de imagens sobre a introdução e a evolução da raça zebuína no Brasil. Também instalou um estúdio de áudio, muito requisitado pelos locutores, naquela época. Compôs um rico acervo de registro da história de Uberaba.

 

Infelizmente, esse acervo se perdeu completamente devido a um incêndio, na década de 1950, no estúdio de Schroden.       Depois dessa destruição, ele voltou suas atenções exclusivamente para a fotografia.

 

Em 1956, João Schroden Jr. realizou uma importante exposição fotográfica no Jockey Club, com o nome “Exposição Fotográfica em Technicolor", onde no livro de presença registraram-se 2.018 assinaturas e se tornou notícia em todo o País.

 

Por influência de sua esposa,  Eunice Perroni, ainda na década de 1950, instalou uma creche na Avenida Leopoldino de Oliveira, a Pequena Casa de Maria, que existe até hoje.

 

Em 1980, desanimado pela perda de um filho, Shrodren parou de trabalhar. João Schroden faleceu aos 77 anos de idade, no dia 09 de outubro de 1986, tendo completado 60 anos de profissão. Suas fotos até hoje são visualizadas por historiadores e pesquisadores em geral, que as consideram como "objeto artístico, bastante relevantes".

 

 

 

 

Fotógrafos do Passado: Sulpízio Colombo e filhos

João Eurípedes de Araújo

Luiz Henrique Caetano Cellurale

 

A Foto Postal Colombo, editora de excelentes cartões postais da capital e do interior, merece destaque pela vastidão e qualidade estética de sua produção fotográfica.

 

A época das vistas aéreas com cartões-postais em preto e branco começou com o acompanhamento técnico da construção de Brasília.

 

Sulpízio Colombo e os filhos, Aldo e Alfredo, foram pioneiros nesse empreendimento e obtinham as imagens por meio de vôos, no aeroplano PT–ASQ, capaz de voar a pouca velocidade e em baixa altitude. O avião foi totalmente adaptado para esse fim e o sucesso das primeiras fotografias, transformou piloto e máquina em integrantes do time da Colombo. 

 

Por meio de suas janelas removíveis, a cada sobrevôo pelas cidades fotografadas, era comum os fotógrafos aproveitarem a ocasião para jogar milhares de panfletos, anunciando os cartões-postais. Quando o vendedor oferecia o produto no comércio local, vendia com facilidade e já levava consigo as vistas aéreas e terrestres reveladas em laboratório ambulante improvisado.

 

Em 1953, Alfredo Colombo e Francisco Benassi (Foto Benassi) associaram-se e surgiu a Foto Postal Colombo, de Colombo e Benassi Ltda, cujo slogan era: “Propaganda do progresso construtivo, industrial e cultural do Brasil por processo fotográfico”.

 

 

 

 

 

 

 

Fotográfos do Passado: Ângelo Prieto Guerra

 

João Eurípedes de Araújo

Luiz Henrique Caetano Cellurale

 

Prieto era imigrante espanhol, nascido na Cidade de Camba, Província de Orense, no dia 18/10/1903. Ainda criança, foi com toda a família para a Argentina e, posteriormente, vierram ao Brasil. Seu pai era funcionário da estrada de ferro Mogiana, fato que ocasionou a vinda da família para Uberaba, para morar no bairro rural de Peirópolis.

Ainda adolescente, auxiliava o pai nas atividades ferroviárias. Mais tarde trabalhou como garçom no Hotel do Comércio.  Tirar retrato dos hóspedes, além de fazer parte da rotina, como funcionário, deu a ele a oportunidade de tomar gosto pela fotografia.

Nessa época, conheceu Ibrantina Ribeiro, com quem se casou em 1930, quando começou a demonstrar vivo interesse pela fotografia. Em 1932, montou seu primeiro estúdio na Rua Vigário Silva, junto com o consultório médico do Dr. Heli Andrade. Depois de algum tempo, mudou-se para a Rua Segismundo Mendes e logo em seguida transferiu-se definitivamente para a Rua Vigário Silva, onde permaneceu até se aposentar, em 1968, deixando o estúdio para os seus filhos.

Sempre muito dedicado à sua profissão, além de um atendimento especial aos seus clientes, foi fotógrafo do Colégio Diocesano durante muitos anos e também desenvolveu trabalhos para os clichês dos jornais Lavoura e Comércio e Correio Católico. Registrou junto com Rui de Sousa Novais, do Lavoura e Comércio, visitas de grandes celebridades em Uberaba, como: Getúlio Vargas, Benedito Valadares e Juscelino Kubitschek, dentre outros tantos. Registrou, também, acontecimentos daquela época como futebol e muitos trabalhos realizados em estúdios, deixando verdadeiras obras de arte fotográficas, como por exemplo a Igreja Santa Rita.

 

 

Participou da fundação do clube do xadrez, tendo disputado todos os torneios da época, e também como instrutor técnico na preparação dos enxadristas para a disputa dos jogos abertos do interior. Foi diretor da Associação Esportiva e Cultural.

Enfrentou dificuldades, aperfeiçoou o talento e, em 1932, montou seu estúdio na Rua Vigário Silva. Os seus filhos, Ricardo e José, também trilharam o caminho da fotografia.

Em seu estúdio, a maior produção era de fotos 3X4, mas era o fotógrafo das competições esportivas do Colégio Diocesano e de outros eventos cotidianos e foi freelance dos Lavoura e Comércio e Correio Católico, registrando grandes jogos de futebol de todas as categorias. Faleceu em 29/07/1970 e suas fotografias têm lugar certo na galeria da história de Uberaba

 

 

 

 

 

 

 

FOTOGRÁFOS DO PASSADO:  JOSÉ SEVERINO SOARES

 

João Eurípedes de Araújo

Luiz Henrique Caetano Cellurale

 

Apresentaremos, a seguir, aspectos históricos dos principais fotógrafos do passado da cidade, no tempo em que fotografia representava um avanço tecnológico e era considerado arte.

Uberaba teve fotógrafos consagrados que registraram, através das lentes de suas câmeras, a historia de Uberaba. Podemos destacar: José Severino de Sousa, Luiz Bartholomeu Calcagno, Marcellino Guimarães, Sulpízio Colombo e Ângelo Prieto.

Após 1842, a fotografia passou a fazer parte do cotidiano das famílias brasileiras e, em 1875, o fotógrafo uberabense José Severino Soares, o Velho Severino, foi premiado pelo Governo Imperial do Rio de Janeiro, na Exposição Nacional de Fotografias.

O Almanaque Uberabense publicou, em 1895, anúncios nos quais ressaltava o endereço dos principais fotógrafos da cidade: "José Severino Soares e Joaquim Gasparino, com estúdios na Rua Municipal (atual Cel. Manoel Borges) e Theotônio Simões Souza, no Largo da Matriz". Naquela época, a fotografia era considerada um avanço da tecnologia. Por isso, a profissão de fotógrafo era requisitada e respeitada.

Muitas pesquisas historiográficas que desvelam a memória de Uberaba são possíveis graças à contribuição desses personagens que vislumbravam a paisagem urbana da cidade,  que comprovava a existência de pessoas, de lugares e de paisagens. Além disso, auxilia na busca da identidade cultural e pode validar um projeto, garantindo a veracidade da memória. Pode ainda – utilizadas como cartões de visitas de uma cidade – destacar o seu desenvolvimento e os aspectos turísticos.

 JOSÉ SEVERINO SOARES

  José Severino Soares nasceu na cidade de Sorocaba (SP) em 1938. Casou-se com Antonia Alves de Bastos em 1867, com quem teve 13 filhos. Ele exerceu várias atividades profissionais: fotógrafo, dentista, ourives, industrial e negociante de sal.

  Residiu em diversas cidades de Minas Gerais, onde desenvolveu sua habilidade através dos registros fotográficos, o que lhe garantiu premiações e reconhecimento.

Foto: José Severino Soares

Acervo: Superintendência do Arquivo Público de Uberaba

 

 

A foto foi dedicada ao neto conforme transcrição abaixo:

 

José Severino fez diversos cursos para seu aperfeiçoamento pessoal no Rio de Janeiro, capital do País. Fotografou pessoas e registrou paisagens urbanas pelas diversas cidades nas quais passou. Manteve ateliê em diversas cidades mineiras, principalmente, Uberaba. Exerceu a profissão de fotógrafo até praticamente as vésperas de seu falecimento, aos 78 anos de idade, em Uberaba.

  O Arquivo Nacional do Rio de Janeiro preserva em seu acervo a imagem original da premiação da medalha de menção honrosa recebida pelo fotógrafo José Severino, na Exposição Nacional de Fotografia de 1875.

 

FOTÓGRAFO UBERABENSE GANHA PRÊMIO NO RIO DE JANEIRO

 

Imagem da premiação recebida pelo fotógrafo José Severino

Acervo: Arquivo Nacional do Rio de Janeiro

 

  José Severino sempre divulgou o seu trabalho na imprensa de Uberaba, aproveitando o conteúdo para propaganda de suas atividades, tendo, com isso, a possibilidade de aumento de sua clientela.

 

 

 

DIVERSOS TRABALHOS

 

 

 

 

 

 

 

Guilherme Ferreira distribuiu armas à população de Uberaba

 

Guilherme Ferreira foi indicado Interventor de Uberaba entre 1930 a 1935, em substituição do prefeito Olavo Rodrigues da Cunha.

Nessa época, Getúlio Vargas assumiu a presidência da República com apoio do Estado de Minas Gerais, mesmo tendo sido derrotado nas eleições de 1929.

O paulista Júlio Prestes não tomou posse do cargo de Presidente da República, apesar de sua vitória eleitoral, em 1929, contra a candidatura de Vargas. Por isso, de acordo com Guilherme Ferreira, houve uma revolução em 1930, cujo objetivo era impedir a posse do candidato eleito.  Na verdade, não passou de um levante armado de paulistas contra mineiros, sendo que aqueles desejavam a posse de Prestes e estes, a de Vargas.

Tendo em vista a posição estratégica de Uberaba, próximo à divisa com o Estado de São Paulo, não foi difícil deduzir que focos desse embate aconteceram aqui. A mineira Uberaba se organizou para defender a posse do gaúcho Vargas e o prefeito Guilherme Ferreira distribuiu armas às pessoas que seguiam como voluntárias para enfrentar o exército do Estado vizinho.

Ele instalou, em algumas escolas da cidade, a Cruz Vermelha, o Hospital de Sangue e o Batalhão Feminino que funcionava no Grupo Escolar Brasil e no Liceu (atual Centro Cultural José Maria Barra), com objetivo de cuidar dos combatentes feridos.

Segundo o relatório de Ferreira, grande parte desse conflito aconteceu entre Delta (que naquela época era um distrito de Uberaba) e a cidade paulista de Igarapava. Desse enfrentamento sobraram buracos de balas que até hoje enfeitam a ponte sobre o rio Grande. Diante desse quadro, fica o questionamento. Em sua opinião, quem saiu vitorioso nesse enfrentamento? São Paulo ou Minas?

 

 

 

Artigo produzido por Luiz Cellurale (APU)

 

 

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CHUTE INICIAL: PRIMEIRAS CONQUISTAS DA HISTÓRIA DO USC

 

 

 

No dia 25 de dezembro de 1917 foi realizada a primeira partida do USC. O jogo, contra o Americano Futebol Clube de Araguari aconteceu nos terrenos da Santa Casa de Misericórdia, ocasião em que disputaram a belíssima taça "La Maruxa", oferecida pela artista plástica Maruxa à equipe vencedora. O time do USC venceu por 3 a 0, com gols de Aristides Cunha Campos que fez o primeiro, José Ribeiro ampliou para 2 a 0 e Targino completou a goleada. (LAVOURA,27 de dezembro de 1917, p 2).

 

 

Aristides da Cunha Campos - Jogador, autor do primeiro gol da história do USC - Acervo: Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.

 

Assim o USC inaugurou a sua extensa galeria de troféus, faturando a Taça “Maruxa”, no campo da Misericórdia, como ficou conhecido, o USC passou a realizar as suas partidas contra todos os outros clubes da cidades vizinhas, carreando para si a simpatia de uma considerável torcida. Com o crescente entusiasmo e o aumento dos torcedores, foi necessária a edificação de uma pequena arquibancada com capacidade para 450 pessoas, e o procedimento de melhorias no campo que duraram pouco tempo, pois, logo em 1919, recebeu a doação de um terreno no Alto das Mercês, para edificação de seu campo definitivo.

 

Assim o USC inaugurou a sua extensa galeria de troféus, faturando a Taça “Maruxa”, No campo da Misericórdia, como ficou conhecido, o USC passou a realizar as suas partidas contra todos os outros clubes da cidades vizinhas, carreando para si a simpatia de uma considerável torcida. Com o crescente entusiasmo e o aumento dos torcedores, foi necessária a edificação de uma pequena arquibancada com capacidade para 450 pessoas, e o procedimento de melhorias no campo que duraram pouco tempo, pois, logo em 1919, recebeu a doação de um terreno no Alto das Mercês, para edificação de seu campo definitivo.

 

 

No ano de 1918 os investimentos realizados passaram a dar frutos e o Uberaba Sport começou a acumular vitórias seguidas frente a equipes das cidades vizinhas, como Araguari, Conquista, Igarapava, Ribeirão Preto e Franca. Essas vitórias deram projeção à equipe, que concorria com outras modalidades esportivas o apreço da população, como era o caso do turfe. Assim, foi nascendo uma das maiores torcidas do interior do Estado de Minas Gerais. Em 72 partidas disputas sofreu apenas 10 derrotas (PONTES, 1972, p. 90).

 

 

 

 

 

O clube ganhou personalidade jurídica no dia 2 de março de 1919, quando foram registrados os estatutos do time. Surgiram então figuras dinâmicas como Guiomar Rodrigues da Cunha, Joaquim Machado Borges, Dona Gabriela de Castro Cunha e outros abnegados alvirrubros. Eles lançaram a ideia de se construir um estádio de acordo com a categoria do respeitado time.

 

 

 

 

Artigo produzido por Luiz Cellurale

 

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EMBATE ENTRE MINAS E SÃO PAULO PELO TRAJETO DA FERROVIA

 

A Estrada de Ferro Mogiana surgiu para atender os interesses dos cafeicultores paulistas que desenvolveram, inicialmente, projetos em que o traçado partiria do porto de Jaguara, entre Minas e São Paulo, indo até o porto de Santos.  

 

No entanto, antes de contemplar a região, um embate entre políticos dos dois estados retardou a chegada dos trilhos.

 

Na verdade, a Mogiana teve que enfrentar e vencer três grupos de interesses divergentes:

- Em primeiro lugar, o deputado Montandon, do Parlamento Geral, em 1882, era contrário à concessão da linha férrea para uma empresa paulista, que lucraria muito com o transporte de produtos mineiros. Para ele, a linha férrea deveria seguir o trajeto no interior da Província Mineira, passando por Três Corações/MG e Santa Rita do Porto, até chegar à Corte, numa linha férrea conhecida como Estrada de Ferro Rio verde, subsidiada pelo governo de Minas Gerais. Dessa forma, as mercadorias mineiras não seriam transportadas por uma empresa paulista, mas subsidiadas pela própria província de Minas Gerais.

 

- Outro grupo era formado por uberabenses ilustres e milionários, que desejavam construir uma estrada de ferro às próprias expensas. O barão de Ponte Alta (Antonio Eloy Cassimiro de Araújo), João Borges de Araújo e José Severino Soares requeriam a construção de uma ferrovia e privilegio de uso e gozo, por 50 anos. Eles desejavam realizar um projeto modernizador do sertão. Teriam vantagens porque dispensariam os subsídios do governo.

 

- Outro plano contou com os deputados Gomes da Silva e João José Ludovice, que chegaram a apresentar o projeto nº 150 para a concessão da ferrovia. A vantagem seria a utilização do capital mineiro, o que significaria lucros para a Província de Minas Gerais. O traçado incluiria várias cidades mineiras, sempre em linha reta, com união dos transportes ferroviário e fluvial. Isso não foi tudo. Conseguiram que a Assembléia Mineira revogasse a concessão da construção da linha férrea para a empresa paulista, em 1884. O presidente da província de Minas Gerais, Antonio Chaves (1881-1884) se negava a assinar o contrato com a Companhia Mogiana, mediante o pedido dos próprios deputados de Uberaba.

 

Enquanto isso, em Uberaba a população se organizava para viabilizar a chegada da ferrovia. Dentre as medidas adotadas, surgiu inclusive a publicação de um jornal denominado O Wagoon, ou seja, Vagão, em inglês.

 

 

A Mogiana se via pressionada por vários lados e necessitava concluir as negociações. Contra essas três frentes, a Mogiana apresentou sua proposta e venceu. O jornal O Wagoon lutou através da publicação de artigos de diversos jornalistas para que a estrada de ferro passasse por Uberaba.

 

O deputado mineiro Kerdole denunciou na Assembléia um fato curioso ocorrido no Hotel Monteiro, em Ouro Preto, em que o engenheiro Lisboa, furioso com a decisão do presidente Chaves, declarou publicamente que partia para a Corte e de lá traria um presidente seu para proteger a Mogiana.

 

De fato, pouco tempo depois, foi nomeado um presidente de origem paulista - Olegário Herculano d'Aquino e Castro (cargo que corresponde hoje ao de governador de Estado). Pelas mãos desse presidente, a Mogiana conseguiu a assinatura do contrato da Lei nº 2791 no dia 1º de outubro de 1884. Realmente, dois meses após a sua posse, assinou o contrato e passado seis meses, pediu exoneração do cargo de presidente de Minas Gerais.

 

O major Joaquim José de Oliveira Penna foi um personagem importante no rumo dos acontecimentos, anunciando que outras empresas haviam desistido da iniciativa. Ele também serviu de testemunha durante a assinatura do contrato.

 

O então presidente Olegário Herculano de Aquino justificou a assinatura do contrato com a Companhia Mogiana, fazendo referência à cidade de Uberaba: "(...) A passagem pelo Jaguara, beneficiando municípios vizinhos importantes, como: Sacramento, Araxá, Carmo do Paranaíba e outros, não deve trazer prejuízo a Uberaba, ao contrário, esta florescente localidade colherá vantagens, de que se aproveitarão os município de Monte Alegre, Prata, São José do Tijuco, desta Província e diversas povoações do sul de Goiás, e que necessariamente hão de se provir do contrato que me lisonjeio de haver firmado, ainda que com oposição de alguns, convencido, como estou, de haver assegurado o maior benefício que na ocasião me era dado fazer a esta província. O tempo justificará as minhas previsões".

 

O percurso foi tortuoso, mas o trem de ferro chegou a Uberaba, vencendo todas as dificuldades. Os cinco anos que se passaram entre a assinatura e a inauguração da estação foram o tempo necessário para o esquecimento das opções cogitadas, dos inúmeros trajetos discutidos. A população aguardava ansiosamente a chegada da locomotiva.

 

A Companhia Mogiana de Estradas de Ferro foi inaugurada em Uberaba, no dia 23 de abril de 1889, no bairro Boa Vista. A estação ficava no final da rua Arthur Machado, tendo sido transferido na década de 1940, para o local onde se encontra atualmente, sendo que fora encampada pelo governo de São Paulo, na década de 1970, tornando-se "FEPASA". Posteriormente foi privatizada e atualmente realiza apenas transporte de carga com a empresa VLI.

Fonte: Uberaba 200 anos, no Coração do Brasil. Arquivo Público de Uberaba. 2017. P. 359

 

Artigo produzido por Luiz Cellulare 

 

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